Shapiro-Wilk vs Kolmogorov-Smirnov: qual teste de normalidade usar?

Atualizado em 1 de outubro de 2026 · Leitura de 11 minutos · Por Equipe Estatística TCC

Antes de rodar qualquer teste t, ANOVA ou correlação de Pearson, o pesquisador precisa verificar o pressuposto de distribuição normal. Nos softwares clássicos (como SPSS), aparecem lado a lado duas opções famosas: Shapiro-Wilk e Kolmogorov-Smirnov. Quando os dois discordam — ou quando você precisa justificar sua escolha na banca —, qual deles você deve defender?

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1. Resposta direta: Shapiro-Wilk é superior na quase totalidade dos casos

Se você precisa de uma recomendação clara e consensual na literatura estatística contemporânea: use o teste de Shapiro-Wilk.

Estudos comparativos exaustivos (como Razali & Wah, 2011) demonstraram repetidamente que o teste de Shapiro-Wilk apresenta o maior poder estatístico para todas as combinações comuns de tamanho amostral e tipos de assimetria ou curtose, superando o Kolmogorov-Smirnov, o Anderson-Darling e o Jarque-Bera.

2. As limitações do Kolmogorov-Smirnov (K-S)

O teste de Kolmogorov-Smirnov original foi desenhado para testar se uma amostra provém de uma distribuição teórica com parâmetros média e variância conhecidos a priori (e não calculados a partir da própria amostra).

3. O paradoxo do tamanho amostral

Nenhum teste de normalidade deve ser interpretado às cegas pelo p-valor:

Cenário Amostral Comportamento do Teste Conduta Recomendada
Amostras pequenas (n < 20) Poder estatístico baixo. Pode dar p > 0,05 mesmo com dados não normais. Priorizar gráficos Q-Q e adotar testes não paramétricos conservadoramente.
Amostras moderadas (20 ≤ n ≤ 200) Shapiro-Wilk opera na sua faixa ideal de sensibilidade. Confiar no p-valor de Shapiro-Wilk em conjunto com assimetria e curtose.
Amostras grandes (n > 300) Hipersensibilidade: rejeita a normalidade por qualquer mínima imperfeição. Invocar o Teorema Central do Limite e inspecionar visualmente o Q-Q Plot.

4. Como justificar o Shapiro-Wilk no capítulo de metodologia

Sugestão de texto para o TCC:

"A aderência à distribuição normal foi avaliada por meio do teste de Shapiro-Wilk, adotado em razão de seu maior poder estatístico em relação ao teste de Kolmogorov-Smirnov para amostras de porte moderado (Shapiro & Wilk, 1965; Razali & Wah, 2011). A análise foi complementada pela inspeção visual de diagramas quantil-quantil (Q-Q plots) e pela verificação dos coeficientes de assimetria e curtose."

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